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IPT reúne-se com MPT-SP para apresentar relatório sobre a sílica

Substância, usada no processo de fabricação de borrachas, pode causar doença grave no pulmão capaz de matar em poucos anos

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) reuniu-se ontem com o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT) Erich Vinícius Schramm e com as procuradoras Eliane Lucina e Mariana Flesch Fortes para apresentar relatório técnico sobre a sílica utilizada em processos industriais.

O documento contém análises químicas e físicas comparativas entre borrachas com sílica amorfa e com sílica cristalina. Seu objetivo era verificar diferenças de desempenho entre as borrachas com sílica amorfa e com sílica cristalina. Foi também realizada uma avaliação sobre o tamanho de partícula para conhecer o tamanho que estava sendo usado na borracha analisada. Os resultados serão divulgados em breve.

Segundo especialistas da Fundacentro e do Hospital das Clínicas, o pó de sílica cristalina, quando muito fino, atravessa inclusive máscaras de proteção. Se for aspirado constantemente, pode causar câncer e silicose, doença irreversível capaz de matar em questão de meses.

“A sílica entra no pulmão e provoca alterações nas células, dificultando a troca gasosa”, afirma Ubiratan de Paula Santos, do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas). Além do maior risco de doenças como a tuberculose, “com o tempo as artérias do pulmão ficam com a rigidez de uma pedra. Se esse processo estiver muito avançado, até o transplante de pulmão fica impossível”, completou o médico.

Em 2015, o MPT abriu investigação contra quase 50 empresas fabricantes de produtos de borrachas, principalmente aros de panela de pressão. A intenção foi verificar os equipamentos de proteção coletivos e individuais que estavam sendo usados nas empresas. Até agora foram identificadas em São Paulo e região do Grande ABC, 178 empresas que utilizam a sílica para fabricação de seus produtos.

Em uma das empresas investigadas, produtora de borracha para tampas de panelas de pressão, nove de 15 trabalhadores desenvolveram silicose pulmonar subaguda. Dois morreram e três estão em estado grave após alguns meses de utilização da sílica na empresa em que trabalhavam. “Os dois trabalhadores que já morreram são aqueles dos quais temos conhecimento. É bem possível que mais tenham morrido ou adoecido e não estamos sabendo”, afirmou a procuradora Eliane Lucina, uma das responsáveis pela investigação. A denúncia de que trabalhadores corriam risco de vida devido à sílica partiu da Fundacentro (Ministério do Trabalho e Emprego) após vistorias em diversas fábricas.

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